01/11/2014
Antes, eu odiava falar sobre isso, de verdade, sentia arrepios só de ouvir as seguintes expressões: "profissão", "carreira", "faculdade", "futuro", "planos", "já decidiu o que você quer fazer?". Ai, que aflição! 
Mas eu detestava quando a conversa chegava nesse tópico, porque o que eu queria responder era "NÃO CARAMBA! Ainda não decidi, e não entendo a necessidade absurda que todo mundo tem de saber disso sendo que nem cheguei lá ainda!" mas, pelo bem da educação, sempre me limitei ao bom e velho "eu meio que ainda não decidi", seguido do clássico "sorrisinho amarelo". Se eu gostava de responder isso? De jeito nenhum. Nunca gostei. Sou o tipo de pessoa metódica, que não gosta de não ter respostas firmes e decisivas para dar. Mas eu sabia que jamais seria capaz de dar uma resposta que não tinha, porque estaria mentindo para os outros, e principalmente, para mim mesma. E era isso que me corroía por dentro. Pois já tinha considerado inúmeras opções, e não saía nada, nunca. Sempre de volta à estaca zero.
"Mas Mel, calma, é só escolha de carreira! Não precisa surtar por causa disso, eventualmente você vai se encontrar no mercado de trabalho". Já ouvi isso bastante, mas entrava por um ouvido, e saía pelo outro. Porque era um fator pânico total, algo que me paralisava.
Caso você esteja se perguntando, não, eu ainda não decidi o que quero "fazer" com a minha vida. Por que? Porque de uns tempos pra cá, venho entendendo que a questão não se resume ao "fazer", e sim ao "ser". Por isso a pergunta "o que você quer ser/fazer quando crescer", nunca me pareceu correta o suficiente; pois a questão aqui é QUEM, não O QUE eu quero ser.
Cansei de perder o sono por não saber o que decidir. Que área?Que profissão?Que direção?Dinheiro?Oportunidades? Para, muita informação. Quase pirei. Chorei. Pedi conselhos, mas nada me resolvia. Testes vocacionais? Fiz centenas deles, nenhum me apresentou respostas consistentes ou conclusivas o suficiente, afinal, não é uma escolha entre uma camiseta de manga curta ou sem manga para sair, é o meu futuro na balança! Simplesmente o resto da minha vida, pensei comigo. 
Quer a verdade? Continuo sem respostas. A única coisa que mudou foi o modo como olho para a coisa toda. Chega de pânico, choro, ou drama desnecessário. Chega de tempestades no copo de tequila (nas sábias palavras de uma amiga doida minha aí). Hoje, simplesmente faço a minha parte, e deixo o resto com Deus, e tudo vai se encaminhando. Recebo de braços abertos as oportunidades que me encontrarem e mantenho os olhos abertos para potenciais respostas. Procuro concentrar nos momentos e no agora, e no que me faz feliz. O futuro é chamado de futuro por um motivo: pois não é pra ser vivido agora. Deixa ele pra lá. Planeje, mas não surte; Invista, mas não gaste sua energia correndo atrás do vento enquanto perde os momentos preciosíssimos que a vida está esfregando na sua cara neste exato momento. Se precisar tirar um tempo pra viajar, se conhecer, vivenciar, faça isso. Eu ando pensando em fazer isso. Se vai resolver meu "problema"? Não sei, mas parei de considerar um problema. Pois a questão, ao menos para mim, não é "O que" você quer ser, e sim "quem" você quer ser. Há uma linda e drástica diferença entre as duas sentenças. Algo que nem Exatas, Humanas ou Biológicas jamais serão capazes de definir melhor do que a própria vida, a melhor professora que existe.
Quem eu quero ser? Fácil. Quero ser feliz. O resto, sorriso por sorriso, momento por momento, eu vou descobrindo...
-Mel


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